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publicado em 3 de Dezembro de 2009 | em Música

Muse no Pavilhão Atlântico (29.11.2009)

Muse

Muse

 
 
Pavilhão Atlântico esgotou para ver os britânicos Muse. Mais que um concerto, o espectáculo revelou-se um festival de sensações, com a música e o cenário a encherem as medidas dos milhares de fãs que marcaram presença.Às 17h00, bem antes de os Muse – ou mesmo Biffy Clyro, convidados para assegurar a primeira parte – subirem ao palco do Pavilhão Atlântico, já a multidão rodeava o edifício da sala lisboeta, formando extensas e disformes filas de pessoas carregadas de expectativas (grande parte sub-25, embora já dentro da sala tivéssemos percebido melhor a transversalidade geracional dos seguidores da banda britânica).Nem com o verdadeiro dilúvio que às tantas escorreu do céu a massa humana arredou pé. É aí também que começamos a perceber que os 10 anos de edições discográficas da banda liderada por Matthew Bellamy renderam ao trio uma legião de fãs devotos (no sentido religioso da palavra).

Eram 19h30, faltando portanto meia hora para os escoceses Biffy Clyro subirem ao palco, e a sala maior do Parque das Nações mostrava-se muito bem composta (recorde-se que o concerto se encontrava esgotado há meses).

“Olá Lisboa, nós somos os Biffy Clyro”, num português bem ensaiado, foram as primeiras palavras que se ouviram, dando início à actuação intempestiva do trio escocês. Trouxeram Only Revolutions , um novíssimo álbum, para apresentar e não se fizeram rogados na hora de servir o seu rock nervoso, por vezes experimental por outras a pender para um caminho trilhado pelos Queens of the Stone Age. “God & Satan” ou “Who’s Got a Match?”, do anterior Puzzle , foram alguns dos temas que deixaram o público rendido ao virtuosismo da banda. Entre golpes de bateria, chegaram mesmo a ouvir-se ovações dignas de respeito.

Sensivelmente 15 minutos após a hora marcada, e depois de congeminadas diversas teorias sobre os três arranha-céus que constituíam o pano de frente do palco, as luzes apagam-se finalmente para a entrada dos protagonistas da noite. Um a um, acendem-se os apartamentos dos três prédios, surgem depois vultos a subir escadas e quando esses mesmos vultos começam a cair (qualquer semelhança com a realidade não será pura coincidência), a introdução adensada pela pulsação acelerada da música rebenta no início de “Uprising”. Os três elementos dos Muse surgem então em três plataformas distintas, bem acima do palco, e o público recebe em êxtase o primeiro single do novo The Resistance , cantado a plenos pulmões.

 

A componente visual dos espectáculos do trio de Teignmouth, à qual sempre foi dada a devida atenção, está mais aguçada que nunca, com as teorias da conspiração de que o líder Matthew Bellamy tanto gosta a reflectirem-se nela. Feixes de laser e um esquema de luzes que deixa qualquer um como um burro a olhar para um palácio, ajudam a construir um ambiente perfeito de tensão extasiante. “Resistance” (segundo tema da noite e também o segundo tema do novo álbum) mantém o público em alta, com o seu ritmo cavalgante e teclados mágicos.

Trocando as voltas àqueles que já pensavam que a banda seguiria por The Resistance adentro, a primeira surpresa da noite veio na forma do velhinho “New Born”, para grande contentamento da plateia. A banda desce então ao palco e o festim de lasers atinge níveis hipnóticos. Tempo para avançar até ao muito celebrado Black Holes and Revelations , que esta noite partilhou o protagonismo com o novo álbum: ao brilhante “Map of the Problematique” sucedeu um envolvente “Supermassive Black Hole”, mais demoníaco que nunca.

Marcando o regresso ao presente, “MK Ultra” ajuda a clarificar que os temas de The Resistance não só estão na ponta da língua como são bastante bem recebidos, como se veria mais à frente na balada progressiva de ritmos arabescos “United States of Eurasia”. Pelo meio, um dos temas mais celebrados da noite: “Hysteria” é, juntamente com “Stockholm Syndrome” já no encore, uma das poucas incursões por Absolution (álbum de 2003), mas nem por isso deixa de ser uma das mais celebradas da noite.

Sentado ao piano luminoso, Bellamy recupera então “Feeling Good”, tema celebrizado na voz de Nina Simone que renasceu em formato rock no segundo álbum do trio, Origin of Symmetry . Mantendo o ritmo relativamente calmo, a ponte para o presente faz-se com “Guiding Light” e, depois de um interlúdio bateria/baixo em plataforma giratória, irrompe “Undisclosed Desires”, tema dançável que constitui o actual single e parece arrebatar bastantes corações femininos entre a plateia.

Seguir-se-ia então a sequência ganhadora do concerto: “Starlight”, “Plug In Baby” e “Time Is Running Out” levam a audiência ao êxtase. Saltos, refrões cantados a plenos pulmões exigiram a entrada em cena dos balões brancos gigantes que gravitam nos concertos dos Muse desde a época de Hullabaloo . A terminar o corpo principal do espectáculo esteve “Unnatural Selection”, mais um tema do presente que, em registo acelerado, se revela um dos temas novos que mais surpreende ao vivo. A saída de palco deu-se depois dos elogios merecidos ao público.

As apostas para o encore eram várias: “Bliss”, “Sing for Absolution”, “Muscle Museum” ou “Unintended” seriam porventura as mais desejadas, mas a banda volta a trocar as voltas e serve a sinfónica “Exogenesis: Symphony Pt 1: Overture” (falsete irrepreensível de Bellamy), saltando depois para o estrondoso “Stockholm Syndrome” e o divinal “Knights of Cydonia”, acompanhado por coro gigantesco e explosões de fumo a finalizar.

O culto dos Muse em solo nacional – bem sustentado por concertos memoráveis na Aula Magna, em festivais a norte e a sul e no Campo Pequeno – está mais vivo que nunca e o trio britânico voltou a justificar esta noite a chusma de prémios relativos às suas prestações ao vivo que recebeu em terras de sua majestade. Bravo é dizer pouco.

Alinhamento

“Uprising”
“Resistance”
“New Born”
“Map of the Problematique”
“Supermassive Black Hole”
“MK Ultra”
“Hysteria”
“United States of Eurasia”
“Feeling Good”
“Guiding Light”
“Undisclosed Desires”
“Starlight”
“Plug In Baby”
“Time Is Running Out”
“Unnatural Selection”

“Exogenesis: Symphony Pt 1: Overture”
“Stockholm Syndrome”
“Knights of Cydonia”

Texto de: Mário Rui Vieira
Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos

2 Comentários
  1. Romeu - Dezembro 5, 2009

    Já ouvi muitos dizerem que foi dos melhores concertos da vida deles! Incluindo alguns que viram os U2.

    Os Muse regressam em 2010, para o Rock in Rio.

  2. Romeu - Dezembro 5, 2009

    Já ouvi muitos dizerem que foi dos melhores concertos da vida deles! Incluindo alguns que viram os U2.

    Os Muse regressam em 2010, para o Rock in Rio.

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