{"id":623,"date":"2010-10-04T19:19:45","date_gmt":"2010-10-04T18:19:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.romeucosta.com\/blog\/?p=623"},"modified":"2010-10-04T19:19:45","modified_gmt":"2010-10-04T18:19:45","slug":"problemas-na-sociedade-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/romeucosta.com\/blog\/index.php\/2010\/10\/04\/geral\/problemas-na-sociedade-portuguesa\/","title":{"rendered":"Problemas na sociedade portuguesa"},"content":{"rendered":"<p>Eis algo que me dei ao trabalho de transcrever para digital. Este artigo do Gimba, que li na revista Blitz de Setembro, expressou aquilo que sinto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura em Portugal&#8230;mas que n\u00e3o sabia p\u00f4r em palavras.<br \/>\nNeste artigo est\u00e1 a resposta \u00e0s minhas principais quest\u00f5es:<\/p>\n<p>&#8220;Porque n\u00e3o gosto de ir ao cinema ver um filme portugu\u00eas?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Porque gosto mais das m\u00fasicas no idioma ingl\u00eas que as m\u00fasicas nacionais?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Porque dou gargalhadas quando vejo os \u00cddolos mas ao mesmo tempo fico triste?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Porque tenho a sensa\u00e7\u00e3o que quando vou ver um jogo de futebol, apesar do barulho, parece que ningu\u00e9m est\u00e1 a ligar nenhuma ao desporto?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Porque fico triste sempre que ligo a televis\u00e3o num canal portugu\u00eas?&#8221;<\/p>\n<blockquote><p><strong><span style=\"color: #000000;\">Segue o artigo<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\"> <\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\"> <\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #003366;\">As telenovelas portuguesas \u2013 e a fic\u00e7\u00e3o nacional em geral \u2013 t\u00eam momentos deveras divertidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #003366;\">Na SIC, na RTP ou na TVI, pela pena de Manuel Arouca, Rui Vilhena, etc, e com elencos mais ou menos me\u00aedi\u00e1ticos, o divertimento \u00e9 garantido.<br \/>\n\u00c9 imposs\u00edvel assistir \u00e0 mais dram\u00e1tica das cenas sem acabar numa gargalhada. Porque todas estas produ\u00e7\u00f5es t\u00eam um ponto comum: a inverosimilhan\u00e7a! E nem falo de situa\u00e7\u00f5es inveros\u00edmeis nos enredos (h\u00e1 filmes pornogr\u00e1ficos com tramas bem mais reais!). Falo na inverosimilhan\u00e7a de 99% dos di\u00e1logos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #003366;\">Porqu\u00ea?<br \/>\nPorque a \u00abm\u00fasica\u00bb do portugu\u00eas \u2013 a l\u00edngua que falamos todos os dias \u2013 foi de f\u00e9rias para a Jamaica!<br \/>\nO portugu\u00eas que ouvimos em 99% dos nossos filmes, s\u00e9ries e novelas n\u00e3o tem a mesma \u00abm\u00fasica\u00bb do portugu\u00eas que falamos e ouvimos dia a dia, em casa, na rua ou no trabalho.<br \/>\nQuando viajamos para Nova Iorque ou Los Angeles, parece que entr\u00e1mos num filme. Al\u00e9m dos cen\u00e1rios serem sobejamente conhecidos, a banda sonora \u2013 a \u00abm\u00fasica\u00bb do ingl\u00eas que se ouve, do taxista \u00e0 gente da rua, enfim: ao comum dos mortais \u2013 \u00e9 tal e qual a dos filmes! Seja em sitcoms, em s\u00e9ries televisivas ou em produ\u00e7\u00f5es Hollywoodescas, a \u00abm\u00fasica\u00bb do ingl\u00eas quotidiano e as cad\u00eancias e flex\u00f5es da l\u00edngua falada s\u00e3o fidelissimamente reproduzidas. Porque cont\u00eam as toadas que a tornam aut\u00eantica, familiar e \u2013 l\u00e1 est\u00e1 \u2013 veros\u00edmil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #003366;\">Nos di\u00e1logos da nossa fic\u00e7\u00e3o falta quase sempre a \u00abm\u00fasica\u00bb que poderia conferir-lhes a familiaridade e a verosimilhan\u00e7a do portugu\u00eas quotidiano. Continua a falar-se aos bochechos, com tiradas tipo: \u00abSabes, eu\u2026estive a pensar e\u2026acho que tens raz\u00e3o\u00bb. At\u00e9 as frases mais familiares s\u00e3o sabotadas por ritmos e entoa\u00e7\u00f5es absolutamente incr\u00edveis que produtores, realizadores e directores de actores insistem em usar. Quem fala assim \u00abc\u00e1 fora\u00bb? Ningu\u00e9m!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #003366;\">Este fen\u00f3meno \u2013 e aqui \u00e9 que est\u00e1 o \u00abponto G\u00bb &#8211; tamb\u00e9m sucede em muita da nossa m\u00fasica. Temos can\u00e7\u00f5es com toadas em que o portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 veros\u00edmil, e h\u00e1 letras que se estranham (e n\u00e3o se entranham) porque as palavras n\u00e3o soam familiares. Frases como \u00abSei-te de cor\u00bb ou \u00ab\u00c9s a rainha da noite\u00bb soam a falso pelo simples facto que ningu\u00e9m as diz! E, tal como nas novelas, h\u00e1 at\u00e9 frases mais familiares que s\u00e3o muitas vezes desvirtuadas por interpreta\u00e7\u00f5es cheias de tiques, com entoa\u00e7\u00f5es artificiais em que a l\u00edngua \u00abn\u00e3o bate\u00bb porque ningu\u00e9m a fala assim.<br \/>\nOs autores e int\u00e9rpretes deveriam p\u00f4r os olhos (e os ouvidos!) em frases como \u00abDeixa-me rir\u00bb ou \u00abHoje soube-me a pouco\u00bb, que s\u00e3o naturais, familiares e veros\u00edmeis porque s\u00e3o ditas como as dizemos e ouvimos dizer no quotidiano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #003366;\">And that makes the whole fucking difference!\u201d<\/span><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eis algo que me dei ao trabalho de transcrever para digital. Este artigo do Gimba, que li na revista Blitz de Setembro, expressou aquilo que sinto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura em Portugal&#8230;mas que n\u00e3o sabia p\u00f4r em palavras. 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